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Cresce número de Romarias ao Santuário
"Senhor, ensina-nos a orar... Pedi e recebereis; procurai e encontrareis; batei e vos será aberto. " (Lc 11,9) São Benedito, domingo, 25 de julho de 2010 (SFSG). “Senhor, ensina-nos a rezar”. Com este mesmo pedido que os discípulos fizeram a Jesus, a imensa assembléia, que se reuniu neste domingo no Santuário, concluiu a Homilia interagindo com o Padre Antonio Irineu (Reitor do Santuário).
Na verdade, não foi apenas um pedido, foi uma forte expressão dos romeiros que reconhecem a necessidade, a força e a eficácia da oração. Em seguida, todos cantaram lindamente: ”Ensina teu povo a rezar, Maria Mãe de Jesus...” Emocionante! Não há como negar a áurea que tem este Santuário. Que celebração! Que fervor! Tudo isto explica porque somos um povo peregrino.
Devemos dizer que tem aumentado significativamente a presença de romeiros aqui no Santuário. Neste domingo mesmo, recebemos caravanas de Teresina, Viçosa do Ceará, Ubajara, Varjota, Ipu, Sobral, Fortaleza, e peregrinos de diversas localidades. Isto comprova a vocação regional que nosso Santuário está alcançando. Na verdade é um Santuário diocesano que tem a proposta de ser um centro de evangelização. Veja a maravilha que o Papa Bento XVI fala sobre os Santuários na V Conferência em Aparecida do Norte:
“A decisão de caminhar em direção ao santuário já é uma confissão de fé, o caminhar é um verdadeiro canto de esperança e a chegada é um encontro de amor. O olhar do peregrino se deposita sobre uma imagem que simboliza a ternura e a proximidade de Deus. O amor se detém, contempla o silêncio, desfruta dele em silêncio. Também se comove, derramando todo o peso de sua dor e de seus sonhos. A súplica sincera que flui confiadamente é a melhor expressão de um coração que renunciou à auto-suficiência, reconhecendo que sozinho, nada é possível. Um breve instante sintetiza uma viva experiência espiritual” (Doc. Aparecida, n. 259).
A gente sente uma imensa alegria ao ver o povo saindo daqui com a alma leve e o coração cheio de esperança. A santa missa aqui no santuário, ganha uma conotação extraordinária: pelo contexto que a envolve, mas também, pelo esmero com que é preparada e celebrada. Sem falar que a mensagem do padre é muito contundente e inspirada.
Veja agora a síntese da mensagem do Padre Irineu, que destacou a necessidade, a importância e a eficácia da oração. “A liturgia deste domingo nos convida a refletir sobre o elemento mais importante da vida cristã: a oração. E nos fala da sua importância e eficácia, a partir do exemplo de Abraão e de Jesus. ‘Abraão na sua oração, verdadeiro diálogo com Deus, é humilde, reverente, respeitoso, mas também cheio de confiança, de ousadia e de esperança.
Não foi a repetição de fórmulas decoradas ou lidas, mastigadas às pressas, mas um diálogo no qual apresenta a Deus as suas inquietações, dúvidas, anseios e tenta perceber os projetos de Deus para o mundo e para os homens’. E estes elementos são fundamentais na experiência de oração.
Partindo do Evangelho, onde JESUS reza e ensina a rezar. (Lc 11,1-13) O padre nos conduziu na seguinte reflexão:
“Lucas é o evangelista da oração de Jesus. Mais do que nos ensinar uma fórmula fixa, o Senhor nos propõe um modelo, o espírito que deve estar presente em todas as orações. Uma conversa de filho para Pai. Hoje, mais do que falar do ‘Pai Nosso’, permitam-me, a partir da Oração do Senhor, falar da importância e eficácia da oração. Para inicio de conversa pergunto: rezar vale a pena? Por que rezamos?”
 “Jesus levou trinta anos de preparação (vida oculta) e mais quarenta dias no deserto, se preparando para a missão. Uma vida entregue a oração é preciosa e fecunda. A oração é o fermento que faz crescer nosso trabalho. Se a sua pastoral não está funcionando bem, volte a oração (Lc 15). Para sermos, de fato, as testemunhas de Jesus no mundo precisamos orar mais: ‘Sem mim nada podeis’. A nossa força, a nossa capacidade vem de Deus. Sem oração, não temos força, não somos nada”.
“Aquela energia que se desprendeu de Jesus quando a mulher hemorrágica tocou sua veste, nós a temos em nossas mãos, essa força é a Eucaristia. A oração é a grande força da Igreja. É muito rica a nossa tradição orante e que devemos cultivar sempre – alimentar o silêncio interior; escutar a voz de Deus; viver o mais constantemente possível na presença de Deus; rezar ao Espírito Santo (Cf Fl 4,13). ‘Posso tudo naquele que é minha força’. A rocha firme é a minha fé em Deus (Salmo 1)”.
“A oração não é tanto pedir ou falar – é escutar a Deus... ‘Quem me dera que meu povo me escutasse! Que Israel andasse sempre em meus caminhos.’ (Salmo 80). A oração deve ser o elemento mais importante da nossa vida: ‘Respiração da nossa alma’ (Pio XII). Nosso oxigênio é a nossa oração. O que dá graça a nossa vida é a nossa oração. O resto não satisfaz...”
“A importância da oração nós a vemos na prática de Jesus Cristo que acreditava na oração e rezava continuamente. Vivemos hoje num mundo que só considera eficaz, aquilo que está no campo da técnica, dos avanços tecnológicos. Neste mundo que só valoriza o que é funcional, não há lugar para os idosos e para aqueles que não produzem mais. E aqui vem a pergunta: e a oração, o que produz? É uma ação inútil, inócua. Muitos dizem que faz até mal; é um ópio. Aliena. O que dizer de tudo isto?”
“Na realidade a oração é um fato da nossa fé. Vejamos a sua importância, o seu valor: 1. A oração cria o relacionamento com Deus. A oração aprofunda a intimidade com o Senhor. O Senhor do universo criador de todas as coisas; ver a oração dos Salmos. 2. A oração melhora o relacionamento humano com os outros e consigo mesmo. Através da oração encontramos o equilíbrio, a paciência, a compreensão, a ternura. Vamos adquirindo os atributos de Deus, nos revestimos dos sentimentos de Deus (Col 3,5-17. Vencemos o nosso egoísmo exagerado, ou seja, é muito difícil sair de si mesmo. Temos uma natureza profundamente marcada pelo pecado. Mesmo depois do Batismo permanece a concupiscência. Esta realidade está bem assinalada pelos sete vícios capitais, onde um sempre predomina. A oração nos ajuda, nos coloca em nossa realidade, com o pé no chão. Nem acima e nem abaixo do que realmente somos.”
“Abandonar-se nas mãos de Deus. Esta aí a atitude de quem reza: “Pai, em tuas mãos entrego o meu Espírito”. Esta oração é um verdadeiro ato de fé. De acordo com a vontade do Pai. A oração sempre tem a sua eficácia, aliás, é Cristo que reza em nós e conosco. Por Cristo, com Cristo e em Cristo. Pelo batismo fomos incorporados a Cristo. Confie, tenha fé na oração. Quanto mais intima for a sua união com Cristo, tanto mais eficaz será a sua oração.”
Podemos concluir dizendo que a oração é um diálogo íntimo com Deus, que brota de um ato de fé e de um ato de amor e que nos leva a entrar no Plano de Deus: "Seja feita a vossa vontade..." Se ainda não o conseguimos... façamos nossa, a oração dos apóstolos: "Senhor, ensina-nos a orar..."
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